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Embora a Moi-même-Moitié tenha surgido em 1999, quando a banda anterior do Mana, MALICE MIZER, ainda estava ativa, é na atual carreira solo que ela parece encontrar melhor respaldo. Talvez porque ambas reflitam os ideais individuais do seu criador ou ainda porque uma complementa a outra, uma vez que - como já declarou - Mana procura expressar seu universo musical visualmente através da grife. O fato é que, desde seu nascimento, a Moi-même-Moitié se consagrou como um dos mais famosos e conceituados nomes do estilo Gothic Lolita no Japão, ainda que não tenha atingido um nível de popularidade semelhante ao de tantas outras grifes do ramo. Seu conceito, fiel à visão de mundo do estilista que a mantém, procura abolir os limites de gênero e reúne em suas peças as mesmas concepções de elegância e mistério tão presentes na música do Moi dix Mois. Portanto, também aqui a idéia principal é investir e tirar proveito do contraste entre o belo e o obscuro. Os desenhos das roupas e adornos freqüentemente usados, por exemplo, - como candelabros, portões góticos e crucifixos - refletem o gosto particular do Mana pela estética medieval européia e pelos clássicos filmes de terror. Além disso, seu apreço pela antigüidade gótica garante total liberdade em relação às últimas tendências ditadas pela moda.
A Moi-même-Moitié possui duas subdivisões próprias, mais conhecidas como EGA (Elegant Gothic Aristocrat) e EGL (Elegant Gothic Lolita). A primeira, ao contrário do que a maioria imagina, não é uma vertente masculina. O termo “Aristocrat”, para Mana, significa a sublime beleza que evoca a androginia, o hermafroditismo, e inspira uma atração neutra. As peças dessa linha refletem a elegância da nobreza envolta na aura misteriosa que ele tanto preza. Já a segunda vertente procura reunir em desenhos delicados toda a feminilidade e doçura de uma donzela que esconde no seu interior algo de obscuro. Aqui laços e rendas em excesso são permitidos, simbolizando a pureza de uma antiga boneca de porcelana, ainda que o predomínio do preto - em ambos os casos - procure sempre deixar em evidência que a própria beleza possui seu lado degradante. A grife produz desde acessórios - como colares, anéis, brincos, relógios, chapéus e arranjos de cabelo - até pantalonas, casacos, capas, vestidos, saias, blusas e mesmo roupas íntimas - como as calçolas e anáguas que dão o típico formato armado às saias do estilo Lolita.
Mana desenha ele mesmo todas as peças e atualmente possui duas grandes lojas, uma em Shinjuku, Tóquio, e a outra na sua terra natal, Hiroshima. O próprio ambiente interno desses locais reflete o conceito da grife: tudo é decorado em preto e azul-marinho e iluminado pela luz diminuta de candelabros. Anualmente a grife realiza feiras onde os clientes fiéis recebem brindes, bem como eventos especiais, onde têm a chance de receber do próprio estilista lembranças e autógrafos. A cada nova estação coleções são colocadas à venda e, no Inverno, casacos exclusivos são fabricados sob encomenda para quem faz reserva. Além disso, Mana tem presença garantida para divulgar os novos lançamentos na famosa revista trimensal Gothic & Lolita Bible desde sua primeira edição. Mas foi apenas a partir de 2004, mesmo ano em que a versão Internacional do seu fã clube foi aberta, que os fãs ocidentais tiveram a chance de importar roupas da Moi-même-Moitié através da loja on-line CD Japan. Em Outubro daquele mesmo ano, aliás, foi lançado o belo álbum "Magnifique", fotografado em Paris e hoje esgotado, onde Mana figura como único modelo e exemplifica bem os conceitos da grife. Ainda não há previsão para a abertura de uma filial da Moi-même-Moitié fora do Japão, mas ele já declarou em entrevistas estar estudando propostas e que a Europa, claro, seria o ambiente ideal.
Por Sra. Fujiwara
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