REVISTA FOOL'S MATE (Agosto de 1997)

MALICE MIZER
Aquilo que dorme no momento do vazio

O vídeo com compilações dos shows "sans retour Voyage "derniere"" realizado no auditório público de Shibuya será lançado no dia 30 de junho. Depois disso, no dia 19 de julho, o Malice Mizer divulgará sua primeira produção após terem iniciado suas atividades major nessa primavera, o single "Bel Air ~kuuhaku no shunkan no naka de~". Dessa vez, vamos inspecionar os integrantes para saber quais foram suas verdadeiras intenções postas nessa canção, assim como o segredo da mesma.

- Finalmente, o single de estréia major "Bel Air ~kuuhaku no shunkan no naka de~", cujo BOX edição limitada first press incluirá o preview do vídeo clipe longa metragem filmado na França e com lançamento previsto para o outono, será lançado no dia 19 de julho. Apesar disso, quando foi que vocês finalizaram essa música originalmente?

mana: Err... Quando foi mesmo?

közi: Nós a tocamos no Seinenkan, então foi antes disso não?

kami: Antes disso nós já tínhamos a tocado uma vez no ON AIR EAST.

mana: Ah, no live só para membros do Ma Cherie (fã-clube)? No show de fim de ano no dia 27 de dezembro.

Camui Gackt: Quando todos os integrantes estavam usando Chanchanko né. (risos)

közi: "A grande festa de fim de ano" Live! (risos)

- Ah, me lembrei. (risos) Foi quando vocês a tocaram pela primeira vez né. Por sinal, então a música foi criada por volta do outono do ano passado?

mana: Isso mesmo.

- Você é do tipo que sempre cria músicas novas, Mana-san?

mana: Basicamente, eu não consigo fazer muitas músicas, então sou do tipo que está sempre com problemas, acho.

- Originalmente, com qual imagem vocês criaram essa música?

mana: A música tem um quê dos atalhos que o Malice sempre toma. Queria que as duas guitarras estivessem em harmonia e que houvesse um clima europeu. Se eu pudesse me forçar a descrever o conceito com uma só palavra, seria metal nórdico!

közi*yu~ki: (gargalhadas)

- Eu não tive muito a sensação de "metal nórdico" quando ouvi a música porém... (risos)

közi: Não mas, no começo, quando gravamos a demo no MTR, o mana-chan disse "O conceito é metal nórdico". (risos)

- Quando você pensa em metal nórdico, você se lembra das bandas européias né.

mana: Eu me lembro de Silver Mountain, Yngwie Malmsteen, esses artistas originários da Suécia. Ah, mas não é que o conceito da música toda seja metal nórdico. Era o som das guitarras que eu queria que tivesse essa nuance.

- Vocês tinham alguma consciência que essa música viria a se tornar o single de estréia major desde quando estavam-na fazendo?

mana: Não tínhamos nada de concreto, mas certamente tínhamos a impressão que já era hora disso acontecer. Mas, se eu tivesse tido consciência, acho que agora eu iria preferir me ocupar mais com as nossas apresentações como uma banda.

- Já faz dois anos desde a volta do Malice Mizer e a banda agora usa livremente guitarras midi e gravações passo-a-passo~. Existe alguma razão pela qual as performances são tão importantes?

mana: Bem, no nosso caso, nós não somos apenas uma mera banda, mas somos vistos por diversos ângulos diferentes. Na realidade, enquanto utilizamos gravações passo-a-passo, aproveitamos para também fazermos diversas experimentações. Mas agora, nessa nossa nova estréia, eu queria que todos escutassem mais uma vez o som vindo de nós cinco. Para isso, a canção mais adequada era esta.

közi: Quando ela foi transformada no single, todos sentimos que ela era a única canção que serviria.

- Considerando a importância das performances, o modo de trabalhar o arranjo também mudou um pouco do que era antes?

kami: Sim, mudou. O modo como fazemos agora é totalmente diferente, porque sentimos que todos estão trabalhando no arranjo.

- Como se fossem uma sessão de gravação?

kami: Sim sim.

Gackt: Por isso, cada vez que o arranjo vai mudando, a melodia e as frases da canção também vão se modificando rapidamente.

közi: Por isso o demo-tape que o mana-chan criou no começo acabou se tornando um rascunho.

mana: Realmente, para ser capaz de transmitir à todos o som ideal que eu tinha na minha cabeça, antigamente eu tinha a necessidade de fazer uma demo exatamente como eu queria. Mas ultimamente, eu também observo o que cada um dos membros pensa a respeito de que tipo de música devemos fazer. Por isso não é como se desde o começo nós fizéssemos algo exato, a base da canção é repassada pra todos e a partir daí nós vamos construindo o todo.

- Quanto à letra da música, dessa vez como ela progrediu?

Gackt: Eu fiquei preso e tive muitas dificuldades com essa letra. Desde a hora em que eu ouvi a melodia, o título já havia surgido na minha cabeça, assim como também já existia um tema exato desde o começo. Mas eu não conseguia transformar tudo isso em palavras para compor a letra por mais que tentasse. No entanto, houve um acontecimento... Se aproveitando de uma ligação que eu recebi, eu consegui me conectar com a situação enquanto fazia a canção e partir daí meus "pensamentos" se converteram em palavras.

- Você pode analisar cada um dos detalhes da letra para as pessoas que acabaram de ler ou ouvir a música?

Gackt: É claro. No entanto, não existe qualquer pressão no sentido de o significado é só "esse". Por isso não há muitas coisas que se possam expressar concretamente nessa música. Mas eu ficaria muito feliz se as pessoas que escutaram a música pudessem se emocionar à sua maneira.

- Por falar nisso, os diversos sentimentos de cada um dos membros em seus estágios de gravação também estão presentes?

kami: Pra ser sincero, antes de nós gravamos, aconteceu comigo algo similar ao que houve com ele (Gackt). Portanto eu a gravei com muita empatia. Mas nesse momento eu não estou com muita vontade de tocá-la (sorriso amargo).

- Para você, o conteúdo da música é realístico demais?

kami: Sim. Nos shows também foi bastante doloroso (tocar a música).

Gackt: Tocar ao vivo é difícil né. Quando eu canto, eu lembro do sentimento daquele dia.

kami: Em Osaka, eu ainda estava especialmente envolvido com a música.

- Esses problemas de balanço emocional são complicados, não é?

yu~ki: Mas nós particularmente não tivemos nada assim. Acho que é porque eu estava tocando pensando que isso era simplesmente metal (risos).

közi: Você levantou seus punhos?

yu~ki: Desde que eu ouvi a música eu pensei "é essa, é essa!". E toquei com um grande sorriso (risos).

- Como vocês enfatizaram a harmonia entre as guitarras, vocês gravaram juntos cuidadosamente?

közi: Isso não foi decido assim tão especificamente, foi mais um "vamos ter um timing perfeito"? Esse tipo de sensação (risos).

- Nas composições musicais, também houve alguma experimentação nova?

mana: Recentemente trocamos as guitarras, por isso as distorções estão saindo melhores.

közi: Por isso, se você escutar só a guitarra nessa música, percebe que surpreendentemente há várias partes mais pesadas. Por isso, eu realmente também pensei "isso é metal" quando ouvi a música pela primeira vez. Da introdução até quando a parte da guitarra vem mais forte, parece que eu só consigo tocar assim.

- Você usou a mesma energia dos shows nas gravações?

közi: Eu gravei de forma bastante pesada. Sem me importar com detalhes, eu toquei tendo como base que o "violento" ficaria legal. Por isso, na minha gravação individual, depois de 4 horas mais ou menos eu finalmente consegui o "turuuinn" (faz gestos com a mão direita simulando o toque e movimentos de string bend) que mesclava a distorção e a clareza necessárias e terminei a sessão.

kami: Essa melodia não é de string bend (risos).

mana: Bem, apesar de ser nossa estréia major, pensamos que criar uma música fácil de ouvir para o single era ruim. Se você escutar essa música atentamente, observará que até o refrão da música as guitarras então em harmonia. Então têm também esse quê de que foi algo que só nos conseguiríamos.

- Isso fez explodir o espírito metal de vocês (risos).

közi: A palavra chave da entrevista de hoje é metal né (risos).

- As pessoas que ainda não ouviram a música ao vivo e até agora só leram essa reportagem não conseguem imaginar não é? Como essa canção é. (risos)

mana: Ah... Por isso, quando falamos em metal, mais do que a parte heavy, preferimos adotar como elementos nessa música a melodia bonita e a maneira como as guitarras gêmeas se sobrepõem.

- Em outras palavras, elementos do gênero power metal.

mana: Isso mesmo. Eu já mencionei isso antes, mas além do metal nórdico, o som limpo que flue das vertentes alemãs também é bonito. Por isso, um som feito de forma barulhenta é ruim. Além disso, aqueles vocais gritados do tipo "URAAAAAAA" (de repente mana-sama grita com um tom agudo) também são horríveis.

Todos: (gargalhadas)

yu~ki: Por falar nisso, no começo da gravação quando eu fiz um take mais pesado pensando "isso é metal", chamaram-no de "barulhento" e rejeitaram-no. (risos)

- Quem o rejeitou?

yu~ki: (Sem falar nada aponta para mana)

mana: Eu disse, eu disse. Porque aquele baixo, mais parecia uma terceira guitarra do que um baixo.

közi: Apesar de ser um baixo você também tocou a mão direita né.

yu~ki: Eu também fiz slaps (risos).

- E o som de baixo dessa música ficou bom não foi?

kami: Ah, você sabia? Dessa vez com a ajuda do responsável pela afinação, eu também troquei minha bateria. Além de o som ter ficado muito melhor, talvez tenha sido mais fácil de gravar também. No entanto, para que a música tivesse uma sensação de metal para mim eu realmente pensei nela como um metal e aproveitei para imprimir minha marca como um baterista nela. Eu gosto especialmente da parte de mudança de ritmo, e a usei tanto na melodia principal quanto no refrão principal, então acho que essas partes ficaram bem interessante.

Gackt: E mesmo assim, na melodia da música como um todo as partes que mudam de ritmo ocorrem de modo que você não percebe muito. Por isso você tem dúvidas se aconteceu isso mesmo nessa música.

- Eu senti uma coisa quando estava ouvindo a nova melodia - a forma de se gravar a voz mudou um pouco do que era até agora?

Gackt: Mais cedo eu disse que eu finalmente tinha conseguido conectar a melodia que eu tinha na cabeça com os meus sentimentos através de tentativa e erro, mas, além disso, eu também senti um grande nível de empatia com a música. Por isso, apesar de eu gostar de sobrepor harmonias normalmente, decidi cortá-las totalmente para fazer a parte dos sentimentos mais importante. Quando você coloca harmonias certamente o som fica mais bonito. Mas, por outro lado, o sentimento que você coloca na música acaba se tornando remoto. Por isso acho que esse é o principal motivo para a gravação da voz ter ficado diferente do que era antes.

- Mas a forma como você cantou também não foi diferente do usual? Especialmente perto do refrão, parece que você cantou num tom um pouco mais alto do que o normal.

Gackt: Realmente, nessa canção eu cantei de forma mais aguda. Para expressar os sentimentos de forma mais forte, eu fiz assim.

- Faz sentido.

Gackt: A letra também tem um conteúdo bastante triste, mas para mim de forma alguma isso é algo negativo. Apesar de haver coisas dolorosas, também há a esperança de em seguida você ser capaz de tomar o primeiro passo em outra direção e eu canto com essa sensação positiva também. Por isso acho que esse tom combina com essa situação.

- Por sinal, porque vocês optaram por escrever em katakana o título em francês "Bel Air" (Veru Eeru)?

Gackt: Isso tem um motivo. É porque em francês há duas palavras que podem ser lida como "Veru Eeru".

- Como sempre, você quer que a gente procure por nós mesmos os detalhes (quais são essas palavras), certo?

Gackt: Exatamente (risos).

- O sub-título "kuuhaku no shunkan no naka de" tem um sentido bem profundo se o pensarmos juntamente com o conteúdo da letra, não é.

Gackt: Como eu posso dizer... Nessas situações é como se sua cabeça ficasse totalmente vazia (kuuhaku), não? Nesse "momento do vazio", o tempo transcorre de forma diferente do tempo real. Pensando no tipo de peso que uma pessoa nessa situação acaba carregando, eu escolhi esse subtítulo.

- Assim como o título, no meio da composição há uma parte onde há uma pausa. E no resto da música, o som do órgão foi usado de forma bastante efetiva. Essa composição certamente também tem um sentido bem profundo, não?

Gackt: A pausa no meio da música é o "momento do vazio" (kuuhaku no shunkan) e aquele orgão representa o transcorrer desse tempo do vazio.

mana: E, nos shows, nesse "momento do vazio", alguma coisa acontece.

yu~ki: Desde quando estávamos gravando a música, já tínhamos essa visão.

- É mesmo, eu me lembro que no show do Shibuya, durante a pausa, eu vi a figura de um anjo...

mana: Nessa turnê de agora, como será? Segredo.

kami: Além do mais, esqueci de falar antes, mas vale a pena conferir também os rugidos dele (Gackt) durante uma parte da música.

közi: Rugidos. (risos)

Gackt: Eu tive que gravar aquilo milhões de vezes. Eu gritei diversas vezes "uoooo" na cabine sozinho. Mas foi inútil. (risos)

közi: Você queria criar um efeito "shougeki" (impactante) né. Mas acabou sendo um "shougeki" (farsa cômica). (risos)

- Bem, em relação à essa música, primeiramente teremos o single, logo após teremos a turnê "Pays de merveilles ~kuuhaku no shunkan no naka de~" e depois disso teremos o lançamento do vídeo clipe longa metragem em setembro. Com essas três expansões diferentes - som, imagem e shows - uma só história está se expandido. De agora em diante, não dá pra tirar os olhos do Malice.

mana: Apesar de agora estarmos focados em expressar a música "Bel Air", o tema base do Malice Mizer é "Os seres humanos são..." e sempre pensando nesse tema, estamos produzindo várias coisas. Através do single e a turnê e logo após, do conteúdo do vídeo, maior que todos até agora, conseguiremos apontar algum elemento da nossa temática.

Gackt: Nesse verão, o Japão todo vai tremer. Nessa indústria decadente da música, o Malice Mizer vai bater seu martelo.

közi: Martelo! Incrível isso né. (risos)

mana: Mesmo nos vídeos ou nos shows não há uma resposta pronta. Nós criamos o filme detalhadamente de forma que quanto mais você veja mais perguntas você tenha. E mesmo nos shows, haverá diversas interpretações por pessoa, por isso queremos que as pessoas que estão esperando por isso também estejam preparadas. Você pode pensar no Malice Mizer como uma banda de ilusões, mas na realidade não é isso. Somos uma banda que investiga profundamente o sentido de "Os seres humanos são...".

közi: Eu falei a mesma coisa mês passado mas o vídeo está incrível. Quanto mais você ver, mais você compreende, ao mesmo tempo que suas dúvidas aumentam. Foi assim que o concebemos.

kami: O tempo também, gastamos 20 minutos numa música.

mana: Primeiramente comprem o single, vejam o preview, depois venham aos shows e no outono vejam o clipe completo. Se vocês fizerem isso, acredito que certamente sentirão alguma coisa.

- Essa história me trouxe uma sensação magnífica como a de "Neon Genesis Evangelion".

Gackt: Sim, algo como "o começo de tudo é o fim de tudo". (risos)

mana: Por que as pessoas vivem... Estamos pensando a partir daí.

Gackt: E vamos continuar procurando essa resposta por toda a eternidade.

- Mas se for assim, como o vampiro yu~ki-san vai fazer? (risos)

közi: Acho que ele vai pensar "Quero me tornar um humano o mais depressa possível!", não é?

yu~ki: É, vou me sentir assim mesmo. (risos)

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Notas:

¹ Chanchanko é um tipo de vestimenta japonesa.

² Gravações passo-a-passo se refere ao ato de gravar as notas uma a uma num PC, o que permite fazer composições mais elaboradas.

³ Sessão de gravação no caso é quando todos os músicos se reúnem para gravarem juntos, e não separadamente, como ocorre normalmente.


Tradução Japonês-Português por Suu. Qualquer dúvida, crítica ou sugestão, escreva para: webmistress@m10m.com.br. Proibida a reprodução sem autorização dos responsáveis.

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