WAVE GOTIK TREFFEN 2006

Relato da apresentação da banda no maior festival Gótico do mundo em Leipzig, Alemanha, no dia 4 de Junho de 2006.

Mana, o líder e força criativa por trás do Moi dix Mois, do MALICE MIZER e da grife Gothic Lolita Moi-même-Moitié foi um dos primeiros artistas de J-Rock a atrair a atenção da cena Gótica européia. Isso não foi surpresa, visto que tanto musicalmente quanto esteticamente o excêntrico guitarrista se mistura quase completamente no universo Gótico.

Ainda assim, a apresentação do Moi dix Mois no Wave-Gotik-Treffen de Leipzig, o maior festival gótico do mundo com 20,000 visitantes todos os anos, foi um pouco de aposta. Apesar de serem matérias de capa em diversas bem estabelecidas revistas Góticas, artistas japoneses ainda são considerados estranhos na cena e o Moi dix Mois estava debutando como artista principal [naquele dia]. Mais importante, J-Rock é freqüentemente retratado como moda pela mídia européia e a cena Gótica, que como toda subcultura teme comercialização e venda dos seus ideais, encara essas modas com intensa suspeita.

A banda estava visivelmente nervosa quando à 1:00 da manhã eles subiram no palco como o “Especial de Meia-noite”, logo após Deine Lakaien, um dos nomes mais respeitados e musicalmente brilhantes da cena. Deine Lakaien tinha preenchido ao limite o grande salão Agra e, após sua performance, apesar da hora adiantada, a maioria das pessoas permaneceram para observar os convidados da Terra do Sol Nascente.

No estilo típico do Moi dix Mois, eles abriram com as músicas mais rápidas e agressivas, começando com “deux ex machina”. O contraste entre a música introspectiva de Deine Lakaien e o Metal Gótico enérgico do Moi dix Mois não poderia ser maior e, como resultado, por volta de um quarto da audiência foi embora durante as três primeiras músicas. No entanto, o público remanescente ainda perfaziam alguns milhares e, atraídas pela música, mais e mais pessoas chegavam até que o salão estava novamente bem lotado.

Como esperado, o Moi dix Mois tocou na sua maioria músicas do álbum mais recente, “Beyond the Gate“, mas também intercalou algumas antigas favoritas dos fãs, como “Forbidden”, “Perish” e “the Prophet”. Tanto a banda quanto a audiência precisaram de tempo para se acostumar um com o outro. Pelo olhar embaraçado no rosto dos músicos quando essa grande massa, ao invés de aplaudir e enlouquecer, assistia as idas e vindas no palco intensamente, mas em silêncio, e aplaudiam polidamente ao fim de cada música, ficou evidente que eles nunca tinha se apresentado diante de um público Gótico. Tudo mudou quando o Moi dix Mois apresentou uma nova balada, o que deu ao vocalista Seth a oportunidade de demonstrar o total alcance do seu considerável talento. Por todos os lados as pessoas escutavam aterradas enquanto a interpretação trêmula e de todo coração trazia lágrimas aos olhos. Quanto então o Moi dix Mois voltou ao material mais pesado, o público reagiu com entusiasmo e um bom número levantou as mãos para fazer o amado símbolo diabólico do Moi dix Mois - um gesto normalmente visto com desdém entre os góticos.

Encorajados pela recepção positiva, os músicos gradualmente superaram sua inibição até que estavam agitando por todo o palco. Apesar de estar usando as usuais botas de plataforma, Mana subiu no alto das enormes caixas de som à frente do palco, posando e brandindo sua guitarra, enquanto Seth e K brincavam de lutar pelo microfone. Perto do fim da apresentação, tanto os músicos como a audiência estavam em um humor de celebração e finalmente o público clamou por um bis.

Normalmente o Moi dix Mois, como a maior parte das bandas japonesas, impõe um banimento estrito de fotos nos seus shows, mas no WGT tirar fotos é permitido, e então a banda foi virtualmente cegada pelas luzes dos flashes quando primeiramente subiu ao palco. Dessa vez Mana e K se vingaram, quando voltaram para o bis armados com uma câmera e uma máquina digital e “atiraram” de volta. A banda já tinha ultrapassado seu limite, por isso apenas tocaram mais uma música antes de acenar o adeus para sua audiência ainda aplaudindo. Quando finalmente só restou Mana no palco, posando e fazendo piruetas com a Jeune Fille erguida no alto enquanto tirava dela um solo, todo o público o encorajou e aplaudiu. Então também ele desapareceu e a audiência voltou a torcer por um novo bis, mas já era mais de 2:00 da manhã e o hall tinha que ser evacuado.

De modo geral, tanto a banda quanto os organizadores deveriam estar satisfeitos com o debut do Moi dix Mois no WGT. CDs e produtos se esgotaram minutos depois do show - nada mal considerando-se que até pouco tempo a maioria dos presentes nunca tinham ouvido falar dessa banda. Claro, o próximo desafio será reconciliar essa nova audiência com sua base de fãs de J-Rock, o que não será fácil, mas se o Moi dix Mois quiser descobrir todo seu potencial terá que encontrar um meio.


Escrito por Geisha. Créditos, JaME. Traduzido para o Português por Sra. Fujiwara. Qualquer dúvida, crítica ou sugestão, escreva para: webmistress@m10m.com.br. Proibida a reprodução sem autorização dos responsáveis.

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